Educação 2021: o que esperar das escolas

Postado por inovar 05/01/2021 0 Comentários

 

Educação 2021: o que esperar das escolas

 

 

 

 

O ano de 2020 foi desafiador para todo mundo e, em especial, para as famílias que tiveram de manter as crianças em casa por alguns meses sem ir à escola, sendo privadas do convívio com os amigos e de uma série de experiências para além das cognitivas. Agora, com a chegada do novo ano lectivo, a falta de perspectiva rápida de vacina e a instabilidade da pandemia do coronavírus, que volta a apresentar alta no número de casos, muitos pais, senão todos, estão a perguntar como será a educação em 2021. No momento, há diferentes cenários entre escolas públicas e particulares, que dependem de autorizações dos órgãos superiores para funcionar e de decisões das redes de ensino, das próprias instituições e das famílias.

 

 

Diante de tantas variáveis, cinco especialistas brasileiros afirmam ser difícil dar definições quanto a como as escolas vão actuar neste ano de 2021. Mas todos preveem a manutenção das aulas presenciais e remotas e o revezamento de alunos, a depender de uma série de critérios, como número de estudantes por turma e estrutura física da sala e do estabelecimento como um todo. E se antes havia muitas dúvidas quanto a se devíamos reabrir as escolas, hoje muitos pais, educadores, gestores e profissionais de saúde já manifestam seu apoio ao retorno das aulas presenciais, pelo bem das crianças. Essa é a opinião de quatro dos cinco especialistas mencionados a seguir.

 


Volta gradual e ensino híbrido

 

A professora, socióloga e presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE)/Brasil, Maria Helena Guimarães de Castro, diz que o retorno das actividades presenciais deve ocorrer à medida que as autoridades sanitárias e os dirigentes estaduais e municipais autorizarem a volta às aulas. “O conselho prevê volta gradual, respeitando protocolos até que escolas tenham condições de receber vacina e todos serem imunizados”, relata Maria Helena. Ela afirma que as instituições deverão realizar diferentes actividades para grupos de alunos, uma vez que não será possível manter todos juntos numa mesma classe. “Onde cabem 20 alunos, menos da metade poderá retornar, então, as actividades terão de ser complementadas fora da sala de aula (...) Entenda-se por ensino híbrido um novo conceito de utilização das pedagogias num ambiente que faz uso de diferentes tecnologias e mesmo sem acesso à internet permite o retorno à aula presencial”.

 


Importância do convívio escolar

 

Para a educadora e historiadora Maria do Pilar Lacerda, diretora da Fundação SM, que já foi secretária nacional de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC/Brasil) e secretária municipal de Educação de Belo Horizonte (MG/Brasil), o retorno às escolas deve ser imediato. “Não é possível mais manter os alunos, principalmente até os 13, 14 anos, fora da escola. Apesar das coisas ruins da pandemia, ela trouxe a possibilidade de recriar a educação”, diz a educadora. Segundo ela, não se trata de voltar para a escola que tínhamos antes, mas repensar e refazê-la. “E para isso a gente tem que ter um projecto local, cada território articulando forças da saúde, educação, assistência social e cultura junto com a comunidade para pensar em formas seguras desse retorno.” Pilar destaca a necessidade de pensar em um trabalho de ensino híbrido, em que as crianças tenham, por exemplo, três dias de actividades na escola e três dias de actividades em casa.

 

“Não tenho dúvida de que as crianças não podem ficar privadas do convívio escolar e não estou falando disso por causa da perda de aprendizagem. Ninguém perde aprendizagem – quando você está em casa ajudando a mãe ou conversando com os avós você também está aprendendo – , mas o que não é mais possível é voltar para aquela escola conteudista, transmissivista, que não garantia aprendizagem significativa”.

 

A diretora diz que o importante é manter o vínculo da escola com as crianças. “Não podemos deixar as crianças pensarem que ninguém liga para elas e para o seu aprendizado, que ninguém se importa se elas estão tendo actividade. É preciso manter o processo, mas buscando aprendizagens significativas”, afirma Pilar.

 


Ensino remoto temporário

 

Ademar Batista Pereira, presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep/Brasil), diz que há tempo a rede privada vem pedindo a liberação pelos governos para a retomada das aulas presenciais. “A gente espera poder reabrir as escolas com protocolos de segurança e seguindo os cuidados de higiene e também respeitando as famílias que não quiserem voltar”. O presidente relata que as escolas privadas tiveram muitas dificuldades este ano, com o cancelamento de contratos e a redução dos valores das mensalidades, mas conseguiram fazer um bom trabalho. “O ano não foi perdido, mas o ensino remoto deve ser visto como algo emergencial. Se com os adultos as aulas presenciais permitem desenvolver melhor os conteúdos, imagine com as crianças, em que é preciso trabalhar também outros aspectos, como as relações entre eles”, questiona o presidente.

 


Propostas diversificadas

 

Maria Paula Twiaschor, uma das coordenadoras da área de gestão da Comunidade Educativa CEDAC/Brasil, que actua na formação continuada de educadores de redes públicas, se diz favorável à retomada das aulas presenciais, mas recorda que esse movimento não teve adesão de todos os estudantes e nem de todas as escolas. “Ainda existe resistência dos professores a voltarem, eles estão com receio pelo risco que podem correr de contrair o vírus”. Ela ressalta que a volta não pode se dar de um dia para o outro nem ser fruto de uma decisão isolada da escola ou do município. “É fundamental envolver outras autoridades e firmar uma parceria tanto com a saúde quanto com as famílias e os professores. O secretário não pode tomar a decisão sozinho e a escola tem que deixar a equipe, os professores e as famílias seguros, garantindo todos os protocolos sanitários determinados.”

 

Maria Paula recorda que a “não-volta” tem um impacto enorme no emocional das crianças, na aprendizagem, no abandono escolar e no aumento da desigualdade. “Mas essa volta não pode ser igual a antes, todos sentados na sala. Os alunos tiveram acessos diferentes ao ensino remoto, possibilidades diferentes de aprendizagem e isso tem que ser considerado, para que todos possam recuperar o que não conseguiram neste ano. Vai ter que ter mudanças no sentido de pensar em actividades diversas para diferentes grupos.”

 


Pela não-reabertura das escolas

 

O educador e gestor Luis Laurelli, que já foi diretor geral do Colégio Pentágono e do Sistema de Ensino Pueri Domus/Brasil, entre outras instituições, acredita que não é o momento de reabrir as escolas. Para ele, todas as perdas educacionais são recuperáveis, ao contrário das vidas que podem vir a ser perdidas em decorrência do agravamento da doença. Ele cita as dificuldades das crianças em seguir as regras de protecção contra o vírus e a complexidade da operação necessária para seguir os protocolos e cuidados sanitários, o que requer grande mobilização de funcionários e profissionais de limpeza. “É muito difícil controlar mais de uma criança ao mesmo tempo, evitando com que levem às mãos ao rosto ou tirem as máscaras”, diz o educador.

 

Luis porém reconhece que as crianças menores são as mais prejudicadas pela falta de convívio escolar e que há conteúdos mais subjectivos que não podem ser apreendidos a distância, sendo necessário o contacto presencial entre professor e aluno. Sobre a manutenção do ensino híbrido, ele destaca que o ideal seria que fossem elaborados dois planos de aula, “pois um modelo não se iguala ao outro, o que exigiria uma ampliação da carga horária dos professores.” Luis ressalta ainda a necessidade de acolhimento na volta às aulas. “Muitas perderam entes queridos e tiveram a vida modificada. Os professores também precisam estar preparados para acolher as crianças que estão sofrendo de ansiedade ou depressão.” 

 

 

A educação para 2021 em Luanda/Angola

 

Em Luanda a ministra da Educação, Luísa Grilo, referiu em uma entrevista em outubro/2020 que o ensino à distância está aprazado para o próximo ano lectivo, de modo experimental, em algumas escolas da capital do país, desde que reúnam as condições tecnológicas para o efeito.
Estas declarações foram proferidas depois de a governante ter assistido ao lançamento da plataforma digital de ensino à distância “AVITEL”. Segundo disse, a plataforma será de bastante utilidade, uma vez que vai revolucionar a educação em Angola, tendo em conta a era digital.
Face à situação da Internet a nível do país, a ministra afirmou que o programa será implementado, numa primeira fase, em escolas que já oferecem facilidades no acesso à Internet, mas reafirmou que já há um compromisso do Executivo em fazer chegar o sinal de Internet às escolas do segundo ciclo do ensino secundário, de forma gratuita.
Com relação à obtenção aos meios informáticos serão estudadas formas de acessibilidade, cada qual em seu momento.
Angola está a caminhar para a universalização da era digital. O trabalho incessante para que o país tenha cada vez mais facilitado o acesso à internet está articulado à educação que todos desejam.

 

 

 

Fonte:

 

https://cangurunews.com.br/reabrir-as-escolas-2021/ 

https://www.angop.ao/noticias-o/?v_link=https://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/educacao/2020/9/41/Ensino-distancia-aprazado-para-2021,e61f63f2-8902-4fb7-b878-ff4974ca4c5b.html

 

 

Texto adaptado por: Profª Eliane Ap. Zulian Delázari