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Crianças que sabem usar a tecnologia, mas têm dificuldade para aprender: o que está a acontecer?

As crianças de hoje têm contacto com a tecnologia desde muito cedo. Telemóveis, tablets, computadores, jogos digitais e vídeos fazem parte do seu quotidiano. Muitas conseguem utilizar estes recursos com grande facilidade, mas algumas apresentam dificuldades em actividades escolares que exigem atenção, leitura, escrita, memória e raciocínio. Como explicar esta diferença?
Saber usar a tecnologia não significa saber aprender

A facilidade para utilizar um dispositivo electrónico não significa que a criança tenha desenvolvidas todas as competências necessárias para a aprendizagem.
Os ambientes digitais oferecem, frequentemente, estímulos rápidos, imagens, sons, movimento e respostas imediatas. Na escola, o processo é diferente: aprender exige tempo, concentração, repetição, esforço, tentativa, erro e persistência.
Por isso, uma criança pode dominar um jogo ou uma aplicação e, ao mesmo tempo, ter dificuldade em permanecer concentrada numa actividade escolar durante alguns minutos.
A atenção precisa de ser desenvolvida
A capacidade de manter a atenção é construída progressivamente através das experiências da criança.
Quando está habituada a mudanças rápidas e estímulos constantes, pode sentir maior dificuldade diante de uma tarefa que exige concentração durante mais tempo.
É importante, porém, não atribuir todas as dificuldades de aprendizagem à tecnologia. Elas podem estar relacionadas com diferentes factores, como aspectos pedagógicos, familiares, emocionais, sociais ou dificuldades específicas de aprendizagem que necessitam de avaliação adequada.
Ler e escrever continuam a ser fundamentais
A leitura exige que a criança acompanhe palavras, frases e ideias, compreendendo aquilo que está escrito. A escrita manual, por sua vez, contribui para o desenvolvimento da coordenação motora, da atenção e da organização das ideias.
Por isso, mesmo num mundo cada vez mais digital, é fundamental proporcionar às crianças momentos de leitura, escrita, desenho, pintura, recorte, jogos de memória, puzzles e outras actividades manuais.
Estas experiências não perderam a sua importância.
A tecnologia também pode ajudar
A tecnologia não deve ser vista apenas como um problema. Quando utilizada de forma adequada, pode ser uma excelente ferramenta educativa, permite pesquisar, explorar conteúdos, visualizar experiências e desenvolver determinadas competências.
O desafio está em encontrar equilíbrio.
A criança precisa de utilizar a tecnologia, mas também precisa de brincar, conversar, ouvir histórias, movimentar-se, criar, experimentar e resolver problemas.
O papel da família

A família pode contribuir ao estabelecer limites e criar momentos em que os dispositivos electrónicos não estejam presentes, como durante as refeições e os momentos de convivência.
Mais do que simplesmente proibir, é importante ensinar a criança a utilizar a tecnologia de forma equilibrada. O exemplo dos adultos também é fundamental, pois as crianças aprendem muito através da observação.
E o papel da escola?

A escola enfrenta o desafio de ensinar crianças que cresceram num ambiente de estímulos digitais. Isso não significa abandonar os recursos tecnológicos, mas utilizá-los quando realmente contribuem para a aprendizagem.
Ao mesmo tempo, é necessário preservar actividades que desenvolvam atenção, leitura, escrita, raciocínio, criatividade, comunicação e autonomia.
Aprender também significa permanecer diante de uma tarefa, pensar, errar e tentar novamente.
Aprender exige tempo e persistência
Um dos grandes desafios da educação actual é ajudar a criança a compreender que nem tudo acontece imediatamente.
Aprender a ler, escrever, resolver problemas e dominar novos conhecimentos exige prática e persistência. Sentir dificuldade não significa ser incapaz de aprender.
Por isso, família e escola devem ajudar a criança a desenvolver autonomia, confiança e capacidade para enfrentar desafios.
Tecnologia e aprendizagem podem caminhar juntas

O objectivo não é afastar as crianças da tecnologia, mas ensiná-las a utilizá-la sem permitir que ela substitua experiências fundamentais para o seu desenvolvimento.
Saber utilizar um dispositivo é uma competência importante. Saber aprender continua a ser essencial.
Por isso, diante de uma criança que domina a tecnologia, mas apresenta dificuldades escolares, é importante olhar para além do simples “não gosta de estudar”. É necessário observar os seus hábitos, a sua rotina e as diferentes experiências que fazem parte do seu desenvolvimento.
Educar, nos dias de hoje, é também ensinar a criança a encontrar equilíbrio entre o mundo digital e as experiências que a ajudam a crescer, pensar e aprender.
Fontes:
https://pastoraldacrianca.org.br/as-criancas-na-era-digital/as-criancas-e-a-tecnologia
https://www.kumon.com.br/blog/vamos-juntos-educar/a-influencia-da-tecnologia-no-desenvolvimento-infantil/
https://www.museudaimaginacao.org.br/tecnologia-na-vida-das-criancas-pros-e-contras/
https://www.educamaisbrasil.com.br/educacao/dicas/criancas-e-tecnologia-como-construir-uma-relacao-equilibrada
Texto adaptado por: Profª Eliane Aparecida Zulian Delázari