Postado por inovar 30/04/2026 0 Comentários

Ortografia: corrigir ou não? Uma abordagem pedagógica para professores da 1ª a 6ª classe

 

 

A correcção ortográfica nas classes iniciais do Ensino Primário deve ser compreendida como parte de um processo contínuo de construção da escrita, e não como um fim em si mesma. O erro, nesse contexto, assume um papel diagnóstico: ele revela hipóteses que a criança formula sobre o funcionamento do sistema de escrita alfabética.

 

Sob essa perspectiva, a intervenção do professor precisa ser intencional, criteriosa e adequada ao nível de desenvolvimento dos alunos.

 

Quando corrigir?

 

A correcção deve ocorrer de forma planejada, a priorizar situações em que o foco da actividade seja a reflexão sobre a escrita. Em produções textuais livres, o excesso de marcações pode comprometer a fluência e a expressão do aluno.

 

Como corrigir?

 

- Evitar correcções exclusivamente punitivas ou mecânicas

- Seleccionar erros recorrentes ou significativos

- Promover reflexão (e não apenas substituição pela forma correcta)

- Utilizar diferentes estratégias: reescrita, comparação, leitura em voz alta

 

 

Foco, Intervenção e Prática sugerida

 

 

 

 

 

1ª classe

 

Foco: correspondência fonema-grafema

Exemplo de erro: “BLA” para “bola”

 

Intervenção: valorizar a hipótese e ampliar

“Você escreveu ‘BLA’. Vamos pensar nos sons de BO-LA?”

 

Prática sugerida:

 

- Actividades de completar palavras

- Jogos de segmentação silábica

 

 

2ª classe

 

Foco: consolidação silábica e início de convenções

Exemplo: “caza” / “vouta”

 

Intervenção: apresentar contraste

“Tem palavras com som de /z/ que escrevemos com S”

 

Prática:

 

- Listas comparativas (casa, mesa, rosa)

- Caça-palavras com foco ortográfico

 

 

3ª classe

 

Foco: regularidades e primeiras irregularidades

Exemplo: “jantou” / “geito”

 

Intervenção: explicitar regra contextual

“Antes de E e I usamos G ou J, depende da palavra”

 

Prática:

 

- Agrupamento de palavras por padrão

- Ditado reflexivo (com pausa para pensar)

 

 

4ª classe

 

Foco: ampliação de regras ortográficas e uso em textos

Exemplo: “mais” / “mas”, “porque” / “por que”

 

Intervenção: trabalhar função no contexto

“Aqui indica oposição ou quantidade?”

 

Prática:

 

- Revisão colectiva de textos

- Exercícios de escolha contextual

 

 

5ª e 6ª classes

 

Foco: sistematização e monitoramento da escrita

 

Exemplo: concordância e ortografia em produção textual

 

Intervenção: revisão orientada

“Leia seu texto: alguma palavra te parece estranha?”

 

Prática:

 

- Produção e reescrita de textos

- Uso de dicionário e autocorrecção

 

 

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1 - Reforce a fala: Quando a criança corrigir espontaneamente um termo que antes pronunciava incorrectamente, reforça essa conquista. Repete a palavra correctamente e elogia seu esforço. O diálogo é fundamental nesse processo, pois permite explicar como pronunciar ou escrever correctamente, sem pressão.

 

2 - Ler bastante: Incentiva a leitura desde cedo, proporcione acesso a uma variedade de materiais. Ao perceber erros de leitura, evita correcções excessivas para não desmotivar a criança, especialmente no início. À medida que ela adquire mais fluência, introduz correcções progressivas para aprimorar sua compreensão e habilidades linguísticas.

 

3 - Praticar a escrita com frequência: Estimula a criança a escrever regularmente, seja através de textos, desenhos ou actividades de escrita livre. Isso ajuda a consolidar o vínculo entre a linguagem escrita e o mundo ao seu redor. Elogia seus esforços e valoriza cada progresso, incentive a expressão criativa e a melhoria da escrita.

 

4 - Revisar o que escrever: Ensina à criança a importância da revisão em seu processo de escrita. Incentive-a a revisar seus próprios textos, oferece orientação quando necessário. Ensina técnicas básicas de revisão, como eliminar repetições, clarificar expressões vagas e organizar as ideias de forma coesa. O hábito de revisão é fundamental para o aprimoramento contínuo das habilidades de escrita.

 

5 - Cuidado com o excesso de correcção: É importante permitir que a criança experimente e se arrisque na fala sem intervenções excessivas. Corrigir prematuramente pode inibir seu desenvolvimento linguístico. Encoraje a criança a falar sem medo de cometer erros, e faz a correcção de maneira suave e oportuna.

 

 

Aspectos fundamentais para a prática docente

 

- A correcção deve considerar o nível de escrita do aluno

- Nem todos os erros precisam ser corrigidos simultaneamente

- O erro deve ser utilizado como ferramenta de ensino

- A devolutiva precisa ser compreensível e formativa

 

 

Conclusão

Corrigir é necessário, mas a eficácia da correcção depende da intencionalidade pedagógica. Quando bem conduzida, a intervenção docente transforma o erro em um elemento estruturante da aprendizagem, a promover o desenvolvimento da competência escrita de forma consistente e significativa.

 

 

 

 

 

Fontes:

https://papodeprofes.wordpress.com/2019/04/22/erros-dos-alunos-corrigir-ou-nao-eis-a-questao/

https://www.educamaisbrasil.com.br/educacao/escolas/escrita-infantil-meu-filho-comete-muitos-erros-de-ortografia-devo-corrigir

https://educacao.sme.prefeitura.sp.gov.br/wp-content/uploads/2019/05/16402.pdf

https://www.youtube.com/watch?v=QaBrIw3kjYQ

Texto adaptado por: Profª Eliane Aparecida Zulian Delázari